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sábado, 29 de janeiro de 2011

Saindo da inércia

Em meio a minha vadiagem típica de férias, a inspiração necessária para escrever neste blog tem sido tão escassa quanto os dias em que a chuva não caiu sobre Cruz Alta. Entretanto, para dissipar tal comparação só me restam duas alternativas: Torcer para que a chuva, por um milagre divino, dê uma trégua ou ressucitar da inércia vergonhosa de minhas férias e tentar tornar palavras algumas ideias proveitosas.

Nesses últimos dias têm me passado muito mais ideias subjetivas pela cabeça do que objetos propriamente ditos. Então, com o perdão do leitor, pode ser que daqui saia um texto excessivamente subjetivo. Isso pode causar tanto tédio quanto êxtase, uma vez que as palavras que não entregam diretamente o foco de sua descrição podem exaurir a paciência de meu caríssimo leitor, ou em vez disso podem abrir-lhe o apetite da curiosidade.

O fato é que nesses últimos dias estou entrando em fase de readaptação. As férias ultrapassam a metade e a ideia de abandonar todos os laços que fortaleci nesse período me abomina. Não quero entrar na fase do desapego novamente. O gramado da nova casa é tão bonito e cada vez mais me encanta. As flores que o enfeitam parecem mais bonitas toda vez que as vejo. Mas as novidades e a hospitalidade que o o jardim da minha antiga casa trazem, sempre que a visito, ainda parecem atraentes o bastante para que eu tenha medo de abandoná-lo.

Na volta a esse jardim eu cultivei alguns recantos separados do restante do pátio. E há dois, em especial, que me satisfazem mais. Em um cultivo cerca de dez flores, mas há tanta beleza e candura nelas que nunca me preocupo em contar o número exato em que se encontram. São belas e únicas. Têm entre si uma relação tão íntima que parecem entender a alma das demais e por esse fato guardam dentro de suas cores vivas e singulares uma parte de minha própria alma. O outro recanto ainda é pequeno, e abriga uma rosa solitária. O sol ainda tenta a fazer desabrochar, mas o que mais faz bem a ela é o tempo. E é esse senhor de tudo que me mostrará também a dimensão real que esse recanto terá. Mesmo que na minha imaginação ele pareça ofuscar a beleza do restante do jardim.

E já que falamos no tempo, aproveito para dizer que é ele que corre e tem pressa para chegar a mim. Parece ansioso para me mostrar as novidades de Fevereiro. Como uma criança que aguarda o presente do Papai Noel, eu espero que as novidades satisfaçam meu gosto extremamente exigente, e que o tempo, bem como o bom velhinho, acerte o presente que me agrade.

Cheguei num alvo cuja própria subjetividade embaraça qualquer ponto concreto. Há só uma coisa a dizer: TIC! TAC! TIC! TAC! TIC! TAC! TIC! TAC!TIC! TAC! TIC! TAC!TIC! TAC! TIC! TAC!TIC! TAC! TIC! TAC!TIC! TAC! TIC! TAC!TIC! TAC! TIC! TAC!TIC! TAC! TIC! TAC!TIC! TAC! TIC! TAC!TIC! TAC! TIC! TAC!TIC! TAC! TIC! TAC!TIC! TAC! TIC! TAC!TIC! TAC! TIC! TAC!TIC! TAC! TIC! TAC!TIC! TAC! TIC! TAC!TIC! TAC! TIC! TAC!TIC! TAC! TIC! TAC!TIC! TAC! TIC! TAC!TIC! TAC! TIC! TAC!TIC! TAC! TIC! TAC!TIC! TAC! TIC! TAC!TIC! TAC! TIC! TAC!TIC! TAC! TIC! TAC!TIC! TAC! TIC! TAC!TIC! TAC! TIC! TAC!TIC! TAC! TIC! TAC!TIC! TAC! TIC! TAC!TIC! TAC! TIC! TAC!TIC! TAC! TIC! TAC!TIC! TAC! TIC! TAC!TIC! TAC! TIC! TAC!TIC! TAC! TIC! TAC!TIC! TAC! TIC! TAC!TIC! TAC! TIC! TAC!TIC! TAC! TIC! TAC!TIC! TAC! TIC! TAC!TIC! TAC! TIC! TAC!TIC! TAC! TIC! TAC!TIC! TAC! TIC! TAC!TIC! TAC! TIC!

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Chove

Se você mora em Cruz Alta deve saber muito bem que foram raros os dias deste verão que não se acinzentaram repentinamente e deixaram a chuva cair desenfreadamente. E se você não mora aqui, há de convir que chuva está longe de ser a coisa mais desejada no verão, pelo menos para aqueles que querem curtir o aspecto mais valoroso que esta estação tem a nos dar: o seu calor!

Bom, não estou reclamando dessas benditas gotas que insistem em cair em meio ao meu verão, elas têm alguma serventia... E a utilidade de agora será representar a metáfora de um momento da minha vida, e talvez da sua...

Imaginemos nós que a vida fosse algo quente, a todo instante, incessantemente...
Em um sentido primário poderia ser algo realmente satisfatório, claro, mas pensemos melhor... Quando a vida esquenta demais fica difícil projetar o rumo que vamos querer dar a ela. O raciocínio fica embaçado e as ações resultantes são, por muitas vezes, impetuosas, e você sabe bem que o ímpeto não é o melhor amigo de alguém que quer fazer as coisas bem pensadas.

Entenda-se bem que não quero, e não estou sugerindo que alguém quer, ter uma vida extremamente racional. O calor da hora é uma das coisas que mais ajuda a construir os momentos de alegria e felicidade. O problema é quando temos um calor de 24 HORAS, porque em alguma dessas 24 horas você vai tropeçar em seus próprios passos afoitos e as complicações serão inevitáveis.

Onde é que a chuva entra nessa história toda? É aí que está o centro de toda esta minha metáfora... Se o calor perdurar 24h por dia não teremos tempo para pensar, planejar o agora e tampouco o depois. É fundamental termos alguns instantes de chuva refrescante também na nossa vida. São esses momentos de inteira sanidade que nos darão maior segurança para seguir feliz, e da maneira correta.

Então, enquanto mando embora a chuva que cai durante minhas tardes de verão, peço que a chuva que refresca meus pensamentos continue caindo... Ando precisando dela!

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

2011!

E abrindo meus trabalhos em 2011 dou um viva à amizade pura e compreensiva,
aos sentimentos verdadeiros e recíprocos
ao empenho em fazer dar certo
à justiça no julgar das ações
ao verão que é tão quente na pele quanto no coração
e a todos os que de alguma forma veem na vida algo maior do que o seu próprio umbigo!

2000!

Exclui o contador aquele que estava dando alguns problemas...
Mas sigo informando-os segundo o oficial, cedido pelo Blogger:
Total de visitas:

2042!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

(SÓ) rindo

Às vezes não são necessários dias, meses ou anos para se sentir que a vida vale a pena... Principalmente quando se trata da idade em que eu estou!

Confesso que por vezes hesitei em vários aspectos, questionando-me sobre a que ponto, exatamente, minha maneira de levar a vida estava correta. A que ponto, exatamente, valia pagar o preço de algumas privações. Descobri que o ponto correto está ,não no êxito que consegui desempenhando tais atos, mas nos sentimentos intrínsecos à minha alma quando fico feliz por eles! E feliz não por números ou qualquer tipo de matéria, mas feliz pelas essências humanas que emanam de mim e para mim quando eles acontecem!

Não desejava fazer um texto muito longo... A esta hora da madrugada, resolvi apenas tentar retribuir por este meio a algumas pessoas que, tão rápido, têm me provocado gargalhadas incessantes e um sorriso insistentemente extasiante que se resume a uma palavra que a cada vez que os encontro, fica mais clara sob os meus olhos: AMIZADE

E... galera do "OMC"... QUE SEJA ETERNO ENQUANTO DURE!

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Lanterna dos Afogados!

Quando tá escuro e ninguém te ouve
Quando chega a noite e você pode chorar
Há uma luz no túnel dos desesperados
Há um cais de porto pra quem precisa chegar
Eu tô na lanterna dos afogados
Eu tô te esperando, vê se não vai demorar

Uma noite longa por uma vida curta
Mas já não me importa basta poder te ajudar
E são tantas marcas que já fazem parte
Do que sou agora mas ainda sei me virar
Eu tô na lanterna dos afogados
Eu tô te esperando vê se não vai demorar

Uma noite longa por uma vida curta
Mas já não me importa, basta poder te ajudar
Eu tô na lanterna dos afogados
Eu tô te esperando ve se nao vai demorar
(Herbert Viana)


Eu sou mais um, com certeza, dos jovens que se entorpecem de músicas modernas, repletas de sons eletrônicos, em que a letra ou a melodia importam cada vez menos que a batida do som. Mas confesso que por esses dias me vi arrebatado por uma onda retrô. Explico!

Eu estava assistindo TV, jogado no sofá, em uma nítida fotografia viva de férias, e sob um outro olhar: férias tediosas. Mas o acontecimento que me leva a escrever não reside aí. Passou um comercial de CD, uma artista nova, relançando algumas músicas, sob nova interpretação. CONQUISTOU-ME!!! A tal lanterna dos afogados ia e vinha na minha mente, decidi procurar na internet a letra e a música completa.

O que eu encontrei foi uma música nada nova dos Paralamas do Sucesso, com uma letra simples, mas ,sob um olhar atencioso, muito expressiva. E aí, uma série de devaneios cultivados na minha mente vazia, em férias, me pediram para serem aproveitados.

Tudo bem que é só uma música, que não é característica da minha geração, mas ela pode ser uma metonímia da minha juventude, no sentido da minha GERAÇÃO de jovens. Somos instintivos e imediatistas sob o aspecto musical, pessoal, alimentício e - sim - inclusive capilar. Não paramos para ver o que cada tendência, de cada tempo, tinha a dizer, tinha a expressar, e rejeitamos toda e qualquer forma de "retrocesso".

O que deixamos de perceber, da forma mais ingênua possível, é que existem coisas das outras gerações que eram mais bem feitas do que as que são feitas agora e que serviam muito mais para completar os indivíduos que delas faziam parte. Era tudo menos mecânico e, portanto, mais emocional.

Sendo mecânicos, é comum dizermos que não viveríamos sem as inovações que o "nosso" mundo fabricou. E, sinceramente, acho que não conseguiríamos mesmo. Mas isso tem uma razão clara. Assim como robôs não vivem sem seus chips, seres humanos automatizados não vivem sem os computadores, celulares e músicas vazias que os CONTROLAM.

Posso estar sendo realmente hipócrita dizendo tudo isso. Mas acho que é melhor pôr aqui meus devaneios. Afinal, antes de tudo foi um novo jeito de escutar uma música, mas por que não pode ser um novo jeito de ver TUDO? Por que não utilizar tantas marcas para o que eu sou agora?

domingo, 12 de dezembro de 2010

Férias! Merecidas!

Já não era novidade que o sucesso de meu ano estava condicionado ao meu sucesso no PEIES. Então, aos que acompanham meus passos tenho orgulho de dizer que meu ano tem um SUCESSO em maiúsculas, negrito e itálico. Felizmente neste domingo, mesmo pensando que não havia obtido êxito, consegui alcançar uma marca considerável no concurso sobredito. Estou absolutamente realizado... Quero aproveitar meu tempo de descanso agora, porque, afinal, foi um ano bem cansativo.

Um grande abraço a todos que ficam felizes com a minha felicidade.

domingo, 21 de novembro de 2010

Boas novas

Eu provavelmente não estarei, ao menos no período das próximas três semanas, mais livre do que nesse exato momento para escrever algo interessante. E juro que minha vida tem me dado recentes motivos para me alegrar, e isso é mais do que suficiente para inspirar-me palavras.

No dia 4/11, assumirei, se tudo correr bem, como Mestre Conselheiro do meu capítulo em Cruz Alta (Ordem Demolay) e isso me deixa animado pra contar os dias para esse momento. É algo de suma importância, que me enche de orgulho, ao mesmo tempo que me prega novas responsabilidades. Dessa vez são responsabilidades boas, que me ensinarão cada vez melhor a arte de viver.

Somando-se a isso, nesses tres útimos dias, em especial, algo tem me chamado a atenção. Não de forma certeira, que torne extintas todas as minha dúvidas e inseguranças, mas de uma forma confortante, que leva doses de adrenalina pulsante ao me sangue, deixando ébrio mais uma vez uma parte de mim que jazia no solo pungente da racionalidade.

E por fim, para completar,recebi hoje uma notícia que me deixou muito, mas muito feliz. Algo que vem como recompensa de um período não muito bom, em que a luta contra aquele mal foi feita de mãos dadas, e hoje ele está pulverizado sob nossos olhares. Palmas eu dou ao grande vitorioso disso tudo, que conseguiu vencer as adversidades com o espírito da superação. Palmas pra você, que saberá quem é!

E a você que leu e não entendeu nadinha disso tudo. Fique com apenas esa última frase:

ESTOU FELIZ!

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Recompensa

Ontem, na Câmara de Vereadores de Santa Maria, foi a premiação do Concurso Literário Municipal, no qual fui contemplado com o 1º lugar. Foi a segunda vez, em dois anos, que eu obtive uma premiação devido a minhas palavras. É, com certeza absoluta, inspirador e recompensante obter tais êxitos; são fatos que enrijecem a alma de quem é aclamado por eles e dão ânimo para seguir projetando minha consciência crítica nas palavras, que por um presente divino, aprendi a usar. Agradeço a todos os que participaram direta ou indiretamente desse conquista.


Abaixo, seguem os dois textos com os quais consegui premiações nos concursos da cidade.

2010

XXXI Concurso Literário Municipal
Colégio Riachuelo
1º Lugar Crônica
Eduardo Librelotto Fernandes


Paradoxo

Estava a minha vizinha mendiga - como já fizera outras vezes - a preparar seu 'cafofo' ao lado da farmácia. A organização e o cuidado com que a mulher de trajes maltrapilhos dispunha seus objetos era algo fascinante por si só. Porém, depois de, aparentemente, concluir seus afazeres 'domésticos', alguma coisa curiosa aconteceu. A vizinha se encaminhou à 'mesa do almoço', improvisada no meio-fio. Sentou-se. Abriu uma sacolinha com alguns alimentos bagunçadamente amontoados e retirou seu bife salpicado de grãos de arroz. Abocanhou-o, nitidamente famélica. Entre seus dedos, escorriam os farelos despedaçados pelos dentes espaçadamente dispersos na boca quase banguela. Seus olhos fitavam o alimento e pareciam nada mais ver. Duas lentes fixas em um foco, como que com medo de que o alimento fugisse e a fome voltasse. Não percebia os passos velozes dos indivíduos que passavam, e estes tampouco a notavam diante da nuvem de detritos sociais que a encobriam.

Farejando os cantos da calçada, na esperança quase mórbida de não perecer, um cão esquelético aproximou-se, no instinto guiado pelo cheiro da carne. Estava perto demais. A mendiga notou. Uma troca de olhares marcou-se. Olhares de ambos os animais, um perante a sociedade, outro perante a natureza. Desconfiada, a mendiga olhou para o cachorro e voltou-se para os dedos, que seguravam firmemente um terço do bife. O baque ocorreu então. Sem titubear mais nem um instante, a mendiga abriu a mão e deixou o cão tomar-lhe o resto de seu almoço. Um sorriso sincero abriu-se naquele rosto maltratado. O sorriso de recompensa da solidariedade em essência.

Era extremamente paradoxal presenciar aquele fato. À medida que minha retina processava as imagens, os fragmentos iam se unindo em forma de reflexão. Era difícil acreditar. A mulher que costuma lutar diariamente pela sobrevivência, sob os olhos coniventes e egoístas dos transeuntes da cidade, mostrando que, mesmo imersa na miséria pungente, o estômago continuava menor que o coração. Um ato que poderia parecer impensado, ignorante... Contudo, era algo muito mais virtuoso, algo que a incompreensão de quem enxerga os fatos friamente é absolutamente incapaz de perceber. Um ato de nobreza; uma ação com alma impregnada, mesmo com a singeleza dos atos de uma mendiga. O paradoxo da riqueza dos fatos na pobreza da cidade.

2009

Concurso Verde que te quero verde, Jornal ‘A Razão’
1ª, 2ª e 3ª séries do Ensino Médio – Categoria Redação

1º Lugar: Eduardo Librelotto Fernandes


Ao planeta, empresto a minha voz

Flagrei-me, outro dia, em uma de minhas reflexões sobre o futuro, a imaginar o mundo dos meus sessenta anos. Meu céu, antes límpido e de azul resplandescente, escondia-se por entre os incontáveis arranha-céus; meu sol, que antes ofuscava o brilho de todas as coisas com sua suntuosidade, agora não era nem notado ante às nuvens de detritos que o encobriam. De nossos bosques, que antes tinham mais vida, não sobraram nem as lágrimas de dor ao serem mutilados.

Parei, frustrado; não posso apenas conformar-me e ser condescendente a esta realidade que toma forma aterrorizante e que ameaça destruir as formas básicas e perfeitas de nosso planeta. Isso porque, sendo você cético ou crente na existência de um Deus superior, não se pode desprezar o fato de que tudo q eu existe tem uma finalidade definida; nem ser ignorante ao ponto de pensar que nossa complexidade medíocre se equipara à magnitude de nossa Terra.

Se os apelos por socorro emanados por nossa natureza em chagas são emudecidos pela ganância que norteia os rumos de nosso mundo, eu empresto minha voz ao planeta e profiro gritos de socorro a todas as classes, pois vivemos todos em um mesmo mundo e é mister a todos a conservação dele.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Surpresa!

Eu descobri agora uma ferramenta do BLOGSPOT que me mostra as estatísticas do meu blog, desde a criação dele.

Quando pus o contador, o blog já tinha algum tempinho de existência, então tive que começar a contar do zero. Agora, com essa ferramenta OFICIAL, tenho o número exato e TOTAL de visitas do blog. Compartilhem comigo dessa surpresa!

# TOTAL DE VISITANTES: 1.301
#ORIGEM DOS VISITANTES: *1282 - BRASIL
*10 - EUA
*7 - CANADÁ
*1 - RU
*1 - MÉXICO


Agora, dá uma lidinha no post aqui de baixo. ABRAÇÃO

Devaneio 1

Se você começou a ler esse post achando que vai encontrar alguma informação bombástica ou uma super-hiper-mega-reflexão, é melhor voltar outra hora. Estive pensando em como a rotina, ou mesmo a mínima alteração dela pode gerar algumas palavras excêntricas, que encaixadas da maneira correta, podem ser prazerosas para mim, ou para você.

Hoje o céu destoou, e muito, dos tons anis que tem apresentado. Um cinza melancólico e uma brisa gélida fizeram a manhã parecer completamente deslocada do contexto "estio" a que rapidamente me acostumei. Aula, rotina, rotina, aula. No meio da monotonia e do silêncio de acontecimentos marcantes, ouvia-se ao fundo meu sangue clamar por glicose. Acordei muito tarde e não me restou tempo para pôr nada no estômago. Azar. Ou talvez sorte, porque alicerçado a esse fato ou não, tive um devaneio que me fez dar algumas risadas internas e intimistas.

Não me lembro do assunto, nem da matéria, mas ouvi a professora balbuciando sílabas perdidas, na intensão vã de caracterizar algo como AVASSALADOR.(Já avisei que o que se seguiria não seria NADA surpreendente) Lá vai meu devaneio número 1.

Depois de ter dito a palavra, fiquei desmontando-a mentalmente, sem nenhuma intensão prévia, senão passar o tempo inconscientemente. A-VASSALA-DOR --> A+DOR=indicadores de ação, transformação; VASSALO= nobre da Idade Média que servia a um outro nobre, jurando, de joelhos, fidelidade. AVASSALADOR = Tornar algo ou alguém seu vassalo, deixar de joelhos, sucumbir.

Não, nada inteligente ou admirável. O significado é esse mesmo, no dicionário, porém o uso que se faz dessa palavra é algo bem distinto dos moldes medievais que ela traz em seu intrínseco significado. E então, mesmo tendo deduzido uma coisa óbvia, percebi que essa, como muitas outras, é uma palavra que teve seu significado transformado do original, mas que analisada atenciosamente, revela sua essência verdadeira.

E o que são as palavras, senão a representação simbólica de nossos atos, seres e almas? Às vezes uma intenção, um uso, mas uma essência diferente.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

O rumo dos passos derradeiros

Eu deparei-me com uma deflagrante realidade nessa última semana: O ano está realmente chegando ao fim. Não foi uma descoberta genial, é claro, mas é uma informação que ainda não havia se tornado tão translúcida a meus olhos. O que deixo claro é que o término de meu ano é marcado por apenas uma data: 12/12, a prova do PEIES.

Faltam menos de dois meses,e isso é muito pouco tempo. Não há tempo para se perder, e já é hora de agendar as revisões e os tratamentos intensivos de estudo. E é justamente aí que entra o fato que me alertou acerca da realidade; a escolha do cursinho intensivo preparatório para o PEIES.

Sobre tal escolha, tenho algumas coisas a relatar. Ano passado, não tive dúvidas sobre a instiruição por que optar. Após uma experiência mal sucedida no semestral do Riachuelo, não exitei em apostar no Fóton todas as minhas fichas. Decisão mais que acertada, pois, com o perdão da opinião particular, os professores do cursinho escolhido, no primeiro ano, superavam - e muito - os do concorrente.

Este ano a história seria a mesma, em tese, uma vez que as experiências na parte inferior da Venâncio Aires tinham obtido minha confiança para a instituição. Mas o concorrente, Riachuelo, não manteve o nível raso que outrora havia apresentado. Neste ano, o cursinho de meu colégio apresentou um corpo docente que me deixou simplesmente boquiaberto. São, reconhecidamente, professores eficientes, e essa característica, no período INTENSIVO, é a mais determinante, sem dúvida. Mesmo com o corpo de professores, parcialmente mantido, o Fóton, nesse quesito, foi derrotado.

Seria uma questão simples, não fossem alguns outros fatores que afloram em meu invólucro juvenil. As lembranças da fervorosa multidão se encontrando nos recreios, a sala de aula com cento e oitenta alunos e as pessoas diferentes que se viam todas as noites.O Fóton lembra também realização adolescente. Não deveria, afinal a qualidade de ensino deveria prevalescer acima de qualquer fator. Mas o Fóton tem a preferência da maioria, justamente pelo encontro massivo de pessoas em um só lugar.

A questão sobredita, mais uma que se apresenta sob a tensão desse fim de ano, ainda perdurará por alguns dias, até que seja aniquilada por uma solução. Porém, a tensão que já se apoderou de mim só me libertará no dia 12/12, em torno das 18h20 min, quando o grito de férias puder ecoar além de minha garganta.


Longe de ser parâmetro comparativo com os demais posts, este serviu muito mais para movimentar novamente minhas atualizações que para afagar minha habilidade ortogramatical. Um grande abraço e até a próxima.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

CONFIRMA

CONFIRMA!CONFIRMA!CONFIRMA!CONFIRMA!CONFIRMA!CONFIRMA! Fim ! Votou!
Meu primeiro ato de exercer o direito cívico de votar foi realizado com sucesso, e me rendeu muito mais do que uma minúscula parcela no percentual geral.

O que ocorreu foi que, após sair de minha seção eleitoral, um estado de paz sobredourou minha consciência. Não foi a certeza de um país melhor, mas pelo menos a certeza de um dever cumprido com retidão e comprometimento. Selecionei meus candidatos segundo ideologias próprias, o que resultou em uma intrigante colcha de retalhos em minha ficha de votos. Diversos partidos figuraram sob minhas digitais nesse domingo eleitoral, e alguns declaradamente inimigos partidários dos outros. Tudo por que preferi ouvir o que minha incandescência juvenil bradava e dar vez aos MEUS próprios partidos ideais e pôr nos CANDIDATOS, e somente em suas índoles, minhas esperanças.

Sei, pois não sou nenhum alienado, que não haverá revoluções gritantes no jeito de governar. Sei que a honra continuará sendo aviltada constantemente pela ilegalidade indiscreta. Porém, minha imaginação onírica ainda projeta avanços significativos para o bem da nação,fundamentados, primeiramente, por um voto bem pensado.

E assim, por mais que minha paciência clamasse já por uma trégua das incansáveis propagandas políticas, há alguma coisa em mim que sentirá falta de todo esse processo eleitoral. Certamente, é a mesma coisa que mantém uma esperança pueril em minha consciência cidadã, e que faz meu coração palpitar diante daquela sonhadora tecla verde.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Assustado, aliviado

Padeço olhando para o céu,
procurando alguma estrela que me diga
o porquê de certas coisas nesse caminho sinuoso da vida
os passos são trilhados
tão cautelosos, pensados, sábios
mas os ruídos das folhas secas, benevolentes,esmagadas pelo caminho
ainda são mudos diante do caos que me tenta.

Resisto. Tento iludir o tempo que vai,
tento enganar o mal que me assombra,
mas são espectros de um sonho ruim
que rondaram meu caminho por estes tempos,
e que, inescrupulosamente, abalam minha solidez.
Rugem, arranham, enterram os ossos de um dia
que, por Deus, não voltará mais.

Se pudesse mudar algo, chagas não abririam mais
nenhuma lágrima brotaria, nem clamores seriam emanados,
mas corrigir o quê, exatamente, nem meus prantos respondem.
São falhas vacilantes, que escorrem de rupturas invisíveis
na incrível fortaleza de minha integridade.

Da terra exulta a certeza de que o mal não se concretizou,
ainda que tenha causado sibilos urticantes na alma de quem os ouviu.
E de que a agonia suposta foi, sem dúvidas,
melhor que a verdade que jamais aconteceu.
Durmo agora, implorando para não apagar, ainda estou assustado, mas aliviado.


Quem entender, e não serão muitos, não compreenderá. Mas as palavras são, por vezes, de sentido tão inatingível quanto os percalços da vida. Não questionem o real sentido delas, foi nada mais do que a excreção de alguns resíduos de minha alma, que me incomodaram por um tempo, nada mais do que isso.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Sinal vermelho para a falta de polidez

Eu estava voltando para casa, após as costumeiras cinco horas de aulas matinais. Parei ante o demorado semáforo da Rio Branco. O sinal estava aberto. Um senhor, de calças largas, bonezinho antiquíssimo, cabelos totalmente esbranquiçados e no mínimo setenta primaveras, ignorou a sinalização. E foi, no ritmo de seus passos senis, atravessando a via. A rua, para quem não a conhece, é um tanto larga e a faixa de segurança de uma travessia como essas no centro de Santa Maria está longe de ser segura.

Assim, os fatos apontam para uma tragédia, e tinha tudo para ser. Não o foi no sentido primário da palavra, em que se prevê um desastroso acidente, culminando em ferimentos e consequências físicas ao indivíduo. Mas foi, sim, uma tragédia moral, em que eu vi o motoqueiro que vinha veloz, desviar perigosamente do idoso e cuspir-lhe uma série de difamações verbais que prefiro não transcrever, deixando-as putrefarem esquecidas no asfalto maldizente.

O velho saiu cabisbaixo, os ouvidos, embora fatigados pelo longa vida, não o pouparam de compreender as expressões do motoqueiro. Sua vida talvez tenha perdido ainda mais as cores que já esmaecem pelo tempo, e que vão se acinzentando ainda mais por tais atos odiosos.

Meu relato não é a defesa da imprudência do velho, porém acredito que esta foi nada mais do que isto: uma imprudência. Faço, sim, uma ressalva pela boa educação, e quando esta não é possível, a abdicação dos atos repudiosos, que não tem outro fim senão transferir seu índice saturado de estresse aos demais indivíduos que os sofrem.
Afinal, não é tão difícil manter-se em silêncio quando não for razoável se manifestar de forma polida e construtiva. Uma vez que não consta em nenhuma cláusula da vida o direito de destruir ou rebaixar o moral de nossos semelhantes com explosões de nossa própria cólera.

Algo que de mim mereceu um olhar mais atencioso , talvez possa servir para algum pensamento profícuo em meio às copiosas ações involuntárias dessa nossa rotina.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

NOVIDADE

Consegui agora colocar um contador de visitantes no meu blog,
a partir de agora, os acessos ao meu domínio serão contados. :D

Clamores da Alma

Existem pessoas que permanecem impenetráveis. Imergem para sempre no oceano inóspito do racionalismo irresoluto. Uma vida sem o uso da razão é, sem dúvidas, improvável de ser vivida. Entretanto, o uso infinito e descontrolado dessa essência racional sufoca a alma. Impede-nos de perceber os deleites sensíveis da vida; vai matando, sem escrúpulos, nosso instinto humano e transformando-nos em máquinas vivas. Para permanecermos vivos interna e externamente, às vezes é preciso, como farei agora, embeber o espírito no bálsamo embriagante do sentimentalismo e entremear nossa alma às dos outros sujeitos e objetos.

Analisemos, por exemplo, em puro devaneio, uma simples rosa vermelha, inerte, que apenas sacoleja lânguida ao embalo sibilante do vento. Neste momento, a abelha adornada de um milimétrico gradiente dourado repousa nesse leito real, sugando para si o néctar doce que a rosa resguarda. Findo o ato, transporta a essência colhida ao reduto do trabalho de suas companheiras, onde o cúmulo do coletivismo transforma o bruto no líquido. O suave pólen tornando-se o mais puro doce da natureza.

À medida que esses fatos acontecem, algum homem incompreendido vai a um armazém de esquina. Com uma introdução lacônica, rapidamente adquire o recipiente contendo a chave para o desejo gustativo repentino. Em sua vida de ritmo céleree a amargo, momentos como aquele eram raros. O paladar adquiria sensibilidade incomensurável a cada dose tragada do mel. No instante em que digeria o doce, a coragem submergia de seu cônscio e seus pés o direcionavam à casa da amada.

Enquanto esperava a resposta ao toque na campainha, suas veias ferviam pulsantes. A porta se abriu. A rosa que levava na mão tornou-se, no instante do choque de olhares, o fragmento mais puro subtraído e esculpido do coração do amante. As emoções entraram em conflito e as consequências se resumiram a um beijo adocicado ainda pelo mel.

Era a prova empírica de que a rosa, a abelha e o mel estavam com as almas em júbilo, comungadas às almas dos amantes. Aqueles, objetos neutros que, agora, representavam a entropia ativa do amor em expressão, da vida em atividade. Estes, o sentimentalismo sincero, a despreocupação com o mundo exterior; a felicidade em pleno protesto às admoestações que o "modernismo" trazia aos sorrisos, cada vez mais raros e suprimidos em meio ao caos do estresse humano.

Portanto, por mais que sejam só devaneios, parece-me claro que devaneios têm, também, alma; pedindo para ser ouvida. A vida tentando nos frear e clamando por atenção aos detalhes castos que ignoramos despercebidamente. Talvez devêssemos ouvir o tal sentimentalismo e dar a nós mesmos a chance de reduzir o ritmo estritamente racional e aderir ao ritmo do sentimentos. Visto que somos algo muito maior que ações mecânicas pré-planejadas. Somos amantes, somos amigos, somos acaso e somos, acima de tudo, a alma em essência.